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	<description>Fatos e opinioes</description>
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		<title>NO AR: As palavras</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Nov 2006 18:26:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>meyreannebrito</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma manhã como muitas outras por esses lados. Acordo, ligo o rádio, escovo os dentes. De repente, uma voz conhecida desperta-me de um estado de abstração, próprio dos que se expõem a um diferente idioma por muito tempo. Era língua portuguesa no ar (ou língua brasileira, como muitos europeus a denominam). Era o Frei Betto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meyreannebrito.wordpress.com&amp;blog=558633&amp;post=18&amp;subd=meyreannebrito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma manhã como muitas outras por esses lados. Acordo, ligo o rádio, escovo os dentes. De repente, uma voz conhecida desperta-me de um estado de abstração, próprio dos que se expõem a um diferente idioma por muito tempo. Era língua portuguesa no ar (ou língua brasileira, como muitos europeus a denominam). Era o Frei Betto na Deutschland Radio.<br />
Apesar do tema, a voz do multivalente frade dominicano soava aos meus ouvidos tão macia. Mesmo abafados sistematicamente pela narração de seu interlocutor, o correspondente alemão Klaus Hart, todos aqueles “esses” sibilados de forma tão sutil enchiam de significados a minha cozinha vazia.<br />
Peles queimadas por pontas de cigarro, facas enfiadas embaixo de unhas, cabeças mergulhadas em baldes d’água, eletrochoques. Frei Betto falava de tortura no Brasil. Pauta difícil, triste, perturbadora. Parte do passado, do presente e, se não assumirmos, do futuro do País chegava aos meus ouvidos na Alemanha!<br />
Além dos questionamentos e indignações, estava frustrada. Perguntava-me por que não há no Brasil uma rede pública nacional de rádio e televisão com poder descentralizado, com um variado e alto nível de programação, com setoristas e correspondentes, tal como Hart, que, no Brasil por quase 20 anos, conta aos curiosos e exigentes ouvintes alemães e austríacos as formosuras e as feiúras de nossa terrinha. Seria o Brasil uma exclusividade? Não. Aqui, notícias e peculiaridades do mundo inteiro estão ao alcance de todos. Coisas do Primeiro Mundo? Seriam os ouvidos emergentes menos interessados em novos conhecimentos, informações, sabedoria?<br />
Hart acredita que há espaço para mais quando observa os brasileiros acima da média sintonizados nas escassas opções que oferecem informação, como a CBN, e boa música, como a Cultura FM.<br />
“Es fehlt hier eine ARD brasileira mit einem großen Korrespondentennetz, es fehlen Radios wie Deutschland Radio Kultur und Deutschlandfunk. Kommerzielles Radio, das sich möglicherweise an nordamerikanischer Machart orientiert, dominiert”. Em português claro, Hart é da opinião de que um sistema de comunicação como a ARD, com a sua grande rede de correspondentes, de rádios como a Deutschland Radio e a Deutschlandfunk, fazem falta aí no Brasil. “O que há com fartura são as rádios comerciais possivelmente orientadas pelo modelo norte-americano. Estas, sim, dominam”.<br />
O que nos leva à tradicional discussão midiática do ovo e da galinha tão complexamente debatida pela escola frankfurtiana: o ouvinte/telespectador influencia ou é influenciado?<br />
O que interessa no momento é que, no caso em questão, o mérito do vasto conhecimento disponível ao povo vai para os órgãos de comunicação europeus que, em geral, tomam para si a responsabilidade de saciar a fome de cultura da sociedade com notícias e grandes reportagens e, mais ainda, de exercitar a imaginação do ouvinte com obras ficcionais excelentemente bem feitas.<br />
Muito mais do que aculturados no modus vivendis americanóide e seus hits banais, aqui as palavras flutuam no ar, reconstroem histórias, países e paisagens em diferentes cores e formas e ampliam o mundo desses privilegiados.<br />
Frei Betto, um guerreiro incansável, luta anos a fio pela paz e, entre outros direitos do povo, pela reforma agrária (a qual na Alemanha foi realizada no séc. XVI). Alô, alô, empresários da radiodifusão brasileira: além da agrária, o Brasil precisa de muitas outras reformas.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/meyreannebrito.wordpress.com/18/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/meyreannebrito.wordpress.com/18/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meyreannebrito.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meyreannebrito.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meyreannebrito.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meyreannebrito.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meyreannebrito.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meyreannebrito.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meyreannebrito.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meyreannebrito.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meyreannebrito.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meyreannebrito.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meyreannebrito.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meyreannebrito.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meyreannebrito.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meyreannebrito.wordpress.com/18/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meyreannebrito.wordpress.com&amp;blog=558633&amp;post=18&amp;subd=meyreannebrito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Nós estamos aqui para falar de futebol &#8220;oder&#8221;&#8230;</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Nov 2006 17:45:47 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Nem tudo é &#8220;sambalelê&#8221; por aqui A bola rola. Os astros da telinha, incluindo Pânico e Eliana e os dedinhos, encontram-se na Alemanha para cobrir a pauta das pautas, a notícia minimizadora de todos os outros fatos que ocorrem no momento. Para a arbitrária mídia, dona da informaçao, está decidido: a Copa é o assunto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meyreannebrito.wordpress.com&amp;blog=558633&amp;post=16&amp;subd=meyreannebrito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Nem tudo é &#8220;sambalelê&#8221; por aqui<br />
</strong><br />
A bola rola. Os astros da telinha, incluindo Pânico e Eliana e os dedinhos, encontram-se na Alemanha para cobrir a pauta das pautas, a notícia minimizadora de todos os outros fatos que ocorrem no momento. Para a arbitrária mídia, dona da informaçao, está decidido: a Copa é o assunto mais relevante no mundo para se reportar ao brasileiro. Sem dúvida é o que dá mais ibope e, conseqüentemente, mai$ patrocinador. Constatação óbvia. É inegável porém a beleza da festa. Além das outras 31 nações, o verde e amarelo se destaca, colore e esquenta o país que hiberna triste, gelado e cinzento durante seis longos meses do ano. O Brasil (e todos os clichês que o vende) é mais moda do que nunca na Europa. Festa para os brasileiros que migraram para cá; para os turistas também. Festa para o país-sede que lucra milhões com o evento. Festa para a Nossa Senhora da Mídia, para os grandes veículos com todo o status que o poder do crachá lhes empresta e para os pequenos também, que mais se assemelham a ambulantes, vendedores de churrasco de gato, no entorno dos estádios, com suas câmeras e antenas parabólicas a tiracolo.</p>
<p>Bola fora para quem pensa que vai ler sobre futebol. Nem tudo é &#8220;sambalelê&#8221; por aqui, especialmente para a mídia germânica que ainda não conseguiu engolir o fato de ser espionada sistematicamente pelo Serviço Secreto Alemão (BND) por 25 anos. Além dos próprios agentes, o Serviço de Informações da Alemanha contratou jornalistas, os quais foram pagos para fornecer relatórios e observar os colegas que investigavam o BND. As ações do BND representam um ataque massivo à liberdade de imprensa protegida constitucionalmente. Afora isso, as atividades desse órgão são estritamente limitadas a questões internacionais. Um relatório de 170 páginas elaborado pelo ex-juiz da Corte Suprema, Gerhard Schäfer, descobre uma densa rede de informantes e operações investigativas com alvo em várias redações e reaviva a prática da Stasi (Serviço Secreto da antiga Alemanha Oriental). Telefones grampeados, perseguições, invasão de privacidade. O jornal Der Spiegel foi o maior alvo do escrutínio. Nesse caso, a investigação começou em 1994, quando o BND, na Operação HADES, tentou fomentar pânico e expor um negócio internacional de armas de plutônio .<br />
Os resultados da bem-sucedida investigação criada artificialmente seriam divulgados um pouco antes das eleições federal e estadual. Claro, para influenciar o resultado dos pleitos eleitorais. No fim, Der Spiegel descobriu que o BND havia forjado o negócio, transportando 363 gramas de plutônio altamente venenoso em um avião de passageiros de Moscou para Munique, ignorando qualquer precaução de segurança. O responsável pelo relatório, Schäfer, encontrou uma extensa informação sobre a redação do Der Spiegel, incluindo detalhes dos contratos de trabalho e pagamentos de funcionários.<br />
A identidade de muitos que foram espionados não foi revelada, tampouco a de todos aqueles que espionaram. O Parlamento alemão exigiu somente que o chefe do BND, Ernst Uhrlau, pedisse desculpas aos jornalistas. Uhrlau desculpou-se e prometeu tomar iniciativas para prevenir tais abusos no futuro. O que incomoda é saber que isso não tem fim e que os grandes figurões, viciados no podre poder, saíram ilesos. Como sempre, se alguém for penalizado serão antigos subordinados do baixo escalão.<br />
                                                                                           Meyre Anne Brito</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/meyreannebrito.wordpress.com/16/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/meyreannebrito.wordpress.com/16/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meyreannebrito.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meyreannebrito.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meyreannebrito.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meyreannebrito.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meyreannebrito.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meyreannebrito.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meyreannebrito.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meyreannebrito.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meyreannebrito.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meyreannebrito.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meyreannebrito.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meyreannebrito.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meyreannebrito.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meyreannebrito.wordpress.com/16/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meyreannebrito.wordpress.com&amp;blog=558633&amp;post=16&amp;subd=meyreannebrito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;A mídia brasileira é burra&#8230;e pobre&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Nov 2006 17:45:14 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[O brasileiro poderia saber muito mais do que as estórias clichês na Alemanha Queria escrever sobre os jornalistas brasileiros que já estão por aqui para cobrir a Copa. Mesmo que a minha função não seja propriamente a de uma repórter, queria perguntar, entrevistar gente. Fui à caça dos caçadores para falar do que eles vão [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meyreannebrito.wordpress.com&amp;blog=558633&amp;post=15&amp;subd=meyreannebrito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O brasileiro poderia saber muito mais do que as estórias clichês na Alemanha<br />
</strong><strong><br />
Queria escrever sobre os jornalistas brasileiros que já estão por aqui para cobrir a Copa. Mesmo que a minha função não seja propriamente a de uma repórter, queria perguntar, entrevistar gente. Fui à caça dos caçadores para falar do que eles vão falar.<br />
No meio do caminho não tinha uma pedra, mas uma jornalista-menina, com a qual, sem mais nem menos, me identifiquei.<br />
Enquanto eu procurava pelo repórter da Globo e pelo &#8220;frila&#8221; da Band, até então os únicos na redondeza, ela me rodeava. Não sei como me encontrou.<br />
Diante de tanta avidez, decidi ouví-la.<br />
A caminho de casa, voltando do Volkspark Friedrichshain, onde também conversei com os outros dois jornalistas, as duras palavras da moça de unhas roídas se mesclavam com o perfume e o colorido das flores que a primavera traz e confundiam a minha percepção das coisas.<br />
- A mídia brasileira é burra e pobre &#8211; disse ela repetidas vezes. Logo na primeira, perguntei o porquê. A resposta longa, cheia de dor e desilusão, veio rápida como uma bala:<br />
- Estou aqui há um ano. Um dos impulsos que tive nasceu de uma troca de e-mails informal com um dos articulistas &#8211; que não é jornalista &#8211; da revista Carta Capital. Percebi que só o investimento de algo em torno de 40 mil reais em uma universidade não seria o suficiente para me garantir uma vaga no mercado diante do comentário: &#8220;Uma viagem para fora do Brasil seria o ideal&#8221;.<br />
Ela foi. A experiência dessa jornalista na Alemanha daria um livro. No momento, isso não vem ao caso. A carioca de 27 anos mandou e-mails, se apresentou, propôs diversas pautas. Nada funcionou. Ninguém a conhecia. Tampouco ela conhecia alguém (para dar um &#8220;empurrãozinho&#8221;).<br />
Exatamente ao mesmo tempo em que essa história se desenrola, em maio do ano passado, a Globo envia o seu correspondente, Renato Ribeiro, com toda a família para Berlim. Parece novela, mas não é. Ele, também carioca, é o único repórter brasileiro contratado para passar um ano na Alemanha a fim de conhecer o país e fazer reportagens.<br />
Ainda que especializado em esportes, Ribeiro cobriu desde política até comportamento. Foram mais de 200 reportagens produzidas durante 12 meses; número que, para o global, significa a certeza de um filão a ser explorado. Enquanto ele falava, eu lembrava da moça que foi ignorada.<br />
&#8220;Talvez, concatenava eu, a Alemanha não seja tão relevante assim. Ou ainda seja preciso muito investimento&#8221;.<br />
Como se pudesse adivinhar, o repórter contradisse meus pensamentos:<br />
- Todas as pautas que eu sugeri foram aceitas. Antigamente, o custo e o tempo empreendidos com um profissional no exterior era muito alto e demorado. Hoje, a tecnologia disponível torna completamente viável, mesmo financeiramente, manter um correspondente internacional.<br />
E então foi a vez dele de pensar alto:<br />
&#8220;Uma das maiores economias do mundo, com tantos negócios no Brasil, podia ser bem mais discutida pela imprensa. Mas parece que a França, com o seu glamour, e a Itália, com o Papa, chamam muito mais atenção&#8221;.<br />
Pelo menos a Band, depois da oferta de vídeo-reportagem do freelancer Dennis Barbosa, aproveitou a oportunidade para levar ao telespectador uma informação diferenciada, o que vem fazendo desde janeiro deste ano.<br />
Um mês antes do apito inicial para o campeonato, tanto a Globo quanto o Bandsports, entre outros representantes da mídia nacional, aportam no coração da Europa.<br />
A Copa do mundo está no ar. Fato é que o brasileiro poderia saber muito mais do que as estórias clichês que sempre ouviu contar sobre Hitler e futebol no país da cerveja. Propostas boas não faltaram. Ao fim da última partida do Mundial, no dia 09 de julho, a mídia verde e amarela tira seu time de campo, retorna ao Brasil.<br />
E as notícias na Alemanha?</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/meyreannebrito.wordpress.com/15/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/meyreannebrito.wordpress.com/15/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meyreannebrito.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meyreannebrito.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meyreannebrito.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meyreannebrito.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meyreannebrito.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meyreannebrito.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meyreannebrito.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meyreannebrito.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meyreannebrito.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meyreannebrito.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meyreannebrito.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meyreannebrito.wordpress.com/15/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meyreannebrito.wordpress.com/15/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meyreannebrito.wordpress.com/15/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meyreannebrito.wordpress.com&amp;blog=558633&amp;post=15&amp;subd=meyreannebrito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Meyre Anne Brito</media:title>
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		<title>a copa do mundo  e o exército alemão</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Nov 2006 17:36:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>meyreannebrito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caros Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[O medo e a neurose por segurança reavivam na Alemanha questões enterradas no pós-guerra As marcas da guerra estão por todo lado. Os resquícios da Alemanha nazista dos anos 30 e 40 ainda podem ser vistos nos prédios cinzas esburacados pelos projéteis ShKAS e MG17 dos exércitos russo e alemão, nas freqüentes bombas descobertas quando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meyreannebrito.wordpress.com&amp;blog=558633&amp;post=14&amp;subd=meyreannebrito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O medo e a neurose por segurança reavivam na Alemanha  questões enterradas no pós-guerra </strong></p>
<p><strong></p>
<p>As marcas da guerra estão por todo lado. Os resquícios da Alemanha nazista dos anos 30 e 40 ainda podem  ser vistos nos prédios cinzas esburacados pelos projéteis ShKAS e MG17 dos exércitos russo e alemão, nas  freqüentes bombas descobertas quando casas são construídas, no olhar triste e cansado de um passante que  caminha titubeante pelas ruas de Berlim, na alimentação ponderada da família alemã, no gosto pela sopa  aguada de batata, na consciência – por vezes exagerada  – da escassez de recursos naturais e até nos refl exos intuitivos desse povo.<br />
Outra conseqüência de uma das maiores bestialidades cometidas contra a dignidade humana pelo 3o Reich foi a exigência das forças aliadas (EUA, Inglaterra e França) de separar as responsabilidades do exército das  tarefas da polícia, no momento em que a nova constituição da República Federal da Alemanha era elaborada. Para prevenir a centralização de um poder potencial forte, os assuntos policiais fi caram sob o comando  dos Estados. Houve mais uma restrição: a separação do  serviço secreto da polícia; nunca mais a Alemanha teria  uma Gestapo (polícia secreta).<br />
As atribuições das forças armadas restringiram-se  então à defesa do país e ao controle de suas fronteiras,  sem qualquer possibilidade de agir em questões internas. Todos os assuntos de segurança dentro do país foram delegados à polícia estadual.<br />
Na onda de movimentos estudantis de 69, que invadiu as ruas do mundo com manifestações socialistas, comunistas e até de paz e amor, dos hippies, o país caiu  na tentação de usar os soldados a fim de abafar os gritos  de indignação das massas.<br />
Naquele tempo, tanto os políticos quanto a sociedade estavam muito preocupados com o poder que o exército poderia conquistar.<br />
Os anos passaram. Hoje, o desempenho das forças  armadas, no que concerne aos dramas que comovem os  alemães, ganhou a confi ança da população; seja no que  tange às catástrofes naturais ou a desastres como o de  1998, quando um trem-bala perdeu o controle, causou a  morte de 101 passageiros e deixou mais de 88 feridos. A  atuação do exército nesse caso, com o apoio de médicos  e psicólogos, assegurou de vez a imagem positiva da instituição. A preocupação expirou com o tempo. No seu  lugar fi cou a credibilidade. Mas, na lei dos homens, paz  tem prazo de validade. É um produto perecível.<br />
A Copa do Mundo e os ataques terroristas são elementos perfeitos para os atores do partido conservador da  Alemanha, o CDU, entrarem em ação. A missão é alterar a  estratégia de segurança. Trocando em miúdos, o ministro do Interior, Wolfgang Schäuble, e seus coleguinhas pretendem pôr abaixo o muro que divide as instâncias da polícia  estadual e federal, do serviço secreto e do exército.<br />
O ministro do Interior – que é também do Esporte  – acredita que a fronteira entre segurança interna e externa tornou-se obsoleta. Schäuble profecia tragédias  caso as forças armadas não possam ser utilizadas em  conjunto com a polícia estadual no mundial de futebol.  O fato é que, de acordo com a Constituição, o exército  alemão não pode executar tarefas essencialmente policiais. A ele só é permitido prestar serviços nos quais  nenhum tipo de arma seja utilizado. O duplo ministro  não pretende colocar os soldados com metralhadoras  na frente dos estádios para assustar os torcedores. Ele  os quer pelas ruas, ao alcance das mãos, para aliviar o  trabalho da polícia, a qual, em sua opinião, estará sobrecarregada. E isso, em parte, o poderoso ministro já  conseguiu. Entre os 7000 soldados que vão se dedicar a  vigiar o espaço aéreo, vistoriar os estádios, em caso de substâncias biológica e química, e prover recursos médicos e sanitaristas, uma unidade militar de elite estará  em situação de alerta.<br />
Do outro lado do cabo-de-guerra, o especialista em  questões de segurança do Partido Verde, Wolfgang Wieland, avisa que essa idéia de Schäuble nasceu há mais  de dez anos. É um projeto antigo dos conservadores. “A  primeira vez que ele tentou alterar a Constituição, com  o propósito de usar os militares dentro do país, foi no  início dos anos 90, quando os asilados curdos bloquearam uma rodovia para reivindicar a garantia de seus direitos. Um tópico totalmente diferente do que Schäuble  explora agora.“<br />
Mesmo com o ataque terrorista dos palestinos à delegação israelense na Olímpiada de  Munique, a Copa de 74 ocorreu sem um incidente sequer. Três décadas depois, os alemães se apóiam nas experiências do passado e se consideram mais do que preparados para sediar  o campeonato futebolístico sem grandes transtornos.  Wieland está seguro de que a única ameaça previsível  nesta Copa do Mundo é o hooliganismo, o qual ocorre  em todo e qualquer evento esportivo de grande porte  da Europa. E isso não é nenhuma novidade para a polícia, que enfrenta essa situação todos os fins de semana  nos torneios deste continente. Além disso, segundo o  especialista do Partido Verde, não há qualquer indício de terrorismo. Ainda assim, se houver, o oponente não  será um país, mas um grupo independente. Fator que não configura a presença de militares.<br />
Neste ponto, o diretor da Associação das Forças  Armadas, o coronel Bernhard Gertz, concorda  com a  posição de Wieland. Ele acrescenta, no entanto, que  não há tempo útil para alterar a lei com a intenção de  atender aos caprichos do ministro do Interior. Outro  agravante é que no momento o exército é incapaz de  trabalhar sob as leis policiais divergentes em cada um<br />
Ainda assim, Gertz aponta os problemas enfrentados pela polícia alemã. A deficiência na comunicação  com os outros órgãos de apoio é um dos principais.  Os departamentos de polícia da Alemanha e da Albânia são os únicos em toda a Europa que ainda não  possuem o sistema de rádios digitais. “Em uma tragédia, todos os envolvidos devem ser capazes de se  comunicar; uma condição até hoje não alcançada.“ O  militar critica as prioridades da polícia estadual. No  últimos anos, gastou-se muito com a aquisição de novos uniformes e carros prateados, para substituir os  modelos verde e branco, em vez de manter o emprego  de 7.000 oficiais dispensados desde o 11 de Setembro.  No lugar de Schäuble, Gertz exigiria que os Estados cumprissem no mínimo com as necessidades básicas  para garantir a seguranca da população. Porém, do  ponto de vista legal, o coronel Gertz questiona a intenção do polivalente ministro de redelegar as tarefas  da polícia ao nível federal.<br />
“De forma alguma, os militares podem se envolver em assuntos de segurança civil. É inconstitucional.“ Schäuble, por sua vez, insiste na possibilidade de  usar as forças armadas. Uma saída para o ministro seria  utilizar as lacunas que a Carta Magna oferece para interpretar os artigos a seu bel-prazer (a nossa conhecida  maracutaia).<br />
Claro que o ministro é um defensor ardoroso das limitações da Constituição. É por isso que ele preferiria  alterar o artigo referente às funções do exército antes de  ter de responder perante o Estado por decisões tomadas  em caso de emergência. Em uma situação de crise, o teimoso ministro é adepto convicto da palavra de ordem: a  urgência desconhece o dever.<br />
Mas nessa discussão quem leva em consideracão  aqueles que dão aos políticos as suas tão desejadas  posicões?<br />
O ex-promotor de justiça e atualmente editor do  caderno de política do diário Süddeutsche Zeitung,  Heribert Prantl, ressalta que a sociedade alemã conhece bem a tensão entre liberdade e segurança. Para  o jornalista, a escolha de um povo por segurança total resultará na perda da liberdade. E, segundo ele, os cidadãos alemães não estão dispostos a pagar esse  preço. Quanto à discussão política, Prantl considera  a presença do exército germânico nas missões internacionais um passo importante para a paz no mundo. Mas colocar militares armados dentro do próprio  país&#8230; Mesmo Schäuble teria dificuldades de ver nessa suposta volta aos modelos do passado um processo em nome da paz.<br />
                                                                          Meyre Anne Brito é jornalista</p>
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			<media:title type="html">Meyre Anne Brito</media:title>
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		<title>ESTRANGEIROS EM SEU PRÓPRIO PAÍS</title>
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		<pubDate>Sun, 19 Nov 2006 13:02:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>meyreannebrito</dc:creator>
				<category><![CDATA[Caros Amigos]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>

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		<description><![CDATA[– De onde você é? – Sou daqui, da Alemanha, de Berlim. Sou alemão. – Mas qual é a sua origem? (preta é a cor da pele dele). Essas duas – simples – perguntas são constantes na vida do teuto-cubano de quase 2 metros de altura, Enrique Baumgarten, como ele mesmo diz, desde que nasceu. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meyreannebrito.wordpress.com&amp;blog=558633&amp;post=1&amp;subd=meyreannebrito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>– De onde você é?<br />
– Sou daqui, da Alemanha, de Berlim. Sou alemão.<br />
– Mas qual é a sua origem? (preta é a cor da pele dele).<br />
Essas duas – simples – perguntas são constantes  na vida do teuto-cubano de quase 2 metros de altura,  Enrique Baumgarten, como ele mesmo diz, desde que  nasceu.<br />
Voz rouca, olhar penetrante, o moço saca a cigarreira  de prata, charmoso, aparentemente nervoso, acende o  cigarro. Apesar de expressar um grande interesse por  história, a sua própria é um ponto de interrogação.<br />
O pai, de Havana, estudara em Leipzig ou Berlim (não sabe ao certo), nos idos de 1966. Cuba fazia parte  então da União dos Estados Socialistas.<br />
“Esse cubano conheceu uma jovem, possivelmente  eles casaram e tiveram um filho; que sou eu. Então,  ele foi chamado de volta a Havana, e deixou a esposa. Ela, sozinha, com três filhos (brancos), me  deu para um orfanato.” O menino seria logo adotado pelos Baumgarten e só veria o pai uma vez antes de completar 18 anos.<br />
Exatamente 21 anos depois, Enrique se considera  totalmente integrado. Fala alemão fluentemente, com um forte sotaque berlinense, e trabalha há dezenove  anos como técnico de manutenção. Enquanto transita, sem transtorno, de um lado para outro, no entorno da cidade, o alemão-negro, nascido e educado na  velha Alemanha Oriental, República Democrática  da Alemanha (RDA), é aceito como nativo. Basta, no  entanto, atravessar a fronteira do seu espaço cotidiano  e acessar as outras Berlins para ver que a sua imagem  não refl ete as características que definem um alemão.<br />
Muito embora conviva com a questão migratória  há mais de quatro séculos (depois do despovoamento  e da devastação da Guerra dos Trinta Anos, franceses,  holandeses e judeus foram bem-vindos para reconstruir  Berlim), a cidade sofre uma enorme crise de identidade. As causas, a Segunda Guerra Mundial e, em seguida, a  Guerra Fria, tiraram a sua posição de coração da Europa  para isolá-la às sombras da Cortina de Ferro. Antes  da reunificação, há registros de que cerca de 500.000  estrangeiros já viviam na parte ocidental, mas somente  em 1998, no governo Schröder, é que a sociedade alemã  começou a assumir os imigrantes. Até então, essas  pessoas eram rotuladas como estudantes, trabalhadores  contratados, asilados, refugiados econômicos. Segundo  a antropóloga Christiane Pantke, os alemães sempre  precisaram de trabalhadores, mas não estavam  preparados para receber seres humanos.<br />
Aqueles que chegaram na parte oriental com o título de  trabalhadores contratados viviam isolados em colônias.  Os relacionamentos amorosos eram terminantemente  proibidos. Tudo para evitar a procriação. É sabido que  muitas mulheres tiveram de abortar seus filhos, devido  ao não cumprimento dessas regras.<br />
Esse não foi o caso de Kim Oanh Respondek. Em 1986, a RDA e o Vietnã alteraram as normas do  contrato, incluindo a possibilidade de receber pessoas  que já possuíam famílias. Assim, Kim deixou seus dois  filhos e seguiu para a Alemanha, com a esperança de  poder buscá-los. Passados dezenove anos, Kim ainda  espera ter os filhos em sua companhia, que já não são  mais crianças. Voltar ao Vietnã, impossível. Se sentiria  tão estrangeira lá quanto é aqui. Está perdida em algum lugar, mas garante que, depois de todos esses anos na  Alemanha, ainda não chegou.<br />
Apoiada por uma assistente social, Tamara  Hentschel, Kim tenta reconhecer as mudanças que  houve após a reunificação. Difícil. A queda do muro  não solucionou os problemas dos vietnamitas. Em  alguns casos, piorou. Agora não há mais ninguém para  ajudá-los a resolver os obstáculos que a cidade impõe  com a sua intolerância e resistência em aceitar os  quase 500.000 imigrantes. Embora 183 nações estejam  representadas na capital da Alemanha, Tamara  acredita que esse chamado multiculturalismo não  passa de moda. Caras, cores, religiões e sobrenomes  diferentes em um mesmo lugar podem ser um fator  de multiculturalismo, mas paralelo. Até ela, na pele de  alemã oriental, ainda não se sente, nesse país unifi cado,  integrada. E Kim como se sente então?<br />
Quando ela fala o idioma, tem dificuldade para ser  compreendida. A sua origem, às vezes, não permite  que compartilhe do mesmo espaço que os alemães no  elevador.<br />
Mas os problemas não se encerram na vida pessoal  de uma única pessoa. Devido à comunidade vietnamita  ser minoria em Berlim (num total de 30.000, entre legais  e ilegais), eles não se sentem representados. A falta de  assistência já levou muitos à morte, pela impossibilidade  de se comunicar com o médico.<br />
Com medo e sem perspectivas, eles chamam a  atenção do governo, que parece não distinguir as  diferenças de cada etnia. O que é conveniente para os  turcos, que representam o maior grupo de imigrantes,  para os vietnamitas é contraprodutivo. A necessidade  de cuidados específi cos não significa que eles estejam  satisfeitos com o comportamento do governo que  defi ne diferentes direitos e deveres entre a população da  Alemanha. Nas palavras do comissário da pasta especial  para Integração e Migração, Andreas Germershausen,  um dia – não ousou supor quando – as organizações  para migrantes não serão mais necessárias. A estratégia  adotada por Germershausen é fazer com que essas  pessoas adquiram cidadania a fim de se tornarem  eleitores. Enquanto isso, as instituições alemãs fi ngem  não ver que 30 por cento das crianças que freqüentam  as escolas têm origem migratória.<br />
O diretor da ONG VIA, Holger Förster, vai mais  longe quando declara: “É necessário que se entenda  que essas pessoas estão aqui e vão ficar. Não se pode  simplesmente mandá-las embora. Não interessa quais  leis de antiterrorismo serão criadas.”<br />
Förster sonha como seria bonito se as pessoas  pudessem admitir que Berlim, até por sua posição  geográfi ca, sempre foi uma cidade de imigrantes. A começar com os huguenotes (protestantes franceses)  até a comunidade russa, que chegou aqui sobretudo na  década de 20, como resultado da Revolução de  Outubro.  “É excitante pensar em toda essa interculturalidade.”<br />
Infelizmente, a realidade é que os alemães, antes de assumir essa identidade multicultural que invade  as ruas com a gastronomia mundial e que se afirma  na música tecno, ainda precisam definir a si mesmos como nação.<br />
Como conseqüência, a Alemanha tem de lutar  contra uma xenofobia que é em parte racista e em  parte tem a sua origem na ideologia da direita radical, a qual é escondida, mas ainda sobrevive à pressão dos  promotores de justiça que forçam os neonazistas a  deixar os cabelos crescerem, pendurar a jaqueta de  couro e deixar as botas pretas no armário de casa.<br />
O jovem Denis, de 18 anos, concorda. “Não preciso  usar certas roupas e dizer ‘Heil Hitler’ para preservar  minha ideologia. Também não quer dizer que tenho de  aceitar tantos estrangeiros no meu país sem falar o meu  idioma e ainda por cima desempregados.”<br />
O jovem nacional-socialista vive o dilema – que  ironia!  – de ter negros em sua própria família. Fato  que prefere não confessar aos amigos. “Afinal de  contas“, explica-se, “não é minha culpa. Meu pai e  minha mãe são brancos”.<br />
O que não entra na cabeça de Denis são as fronteiras  que dividem a sua cidade. Embora tenha curiosidade,  ele não pode se aproximar de Kreuzberg, bairro onde  a maioria dos estrangeiros vive. Assim como também  os imigrantes não ousam pisar as cercanias dos bairros  onde o ser alemão é ainda definido pelo sangue.<br />
Apesar de participar assiduamente de brigas de rua,  pelo menos, até hoje, o menino não matou ninguém. Entretanto, de alguma forma, boa parte da  população berlinense tranqüiliza-se por saber que essas manifestações nazistas não passam de acontecimentos  distantes do seu dia-a-dia.<br />
A brasileira Neia Abreu-Sonntag, de 30 anos, em  Berlim desde 1998,  afirma que sofreu menos preconceito  aqui do que no seu país. “Sinto-me muito melhor na  Alemanha. No Brasil, o preconceito é camuflado. Aqui,  se alguém não gosta de mim, fala na cara.” Como negra,  Neia acredita que teve muito mais oportunidade de  crescer em Berlim do que teria se tivesse fi cado em  Campinas. Sente saudade, diz que tem muito orgulho  da sua origem,  mas, se é para falar de “cor da pele”, a  questão no Brasil é muito mais complicada.<br />
Mesmo com o fardo do anti-semitismo na história de  seus ascendentes, o diretor do Centro Judaico de Berlim,  Hermann Simon, também não deixaria Berlim por nada.  “Com todas as difi culdades, acredito que estamos no  caminho certo. Se alguém decidir viver aqui de acordo  com as leis e a cultura judaicas, é possível. Esse é um  país livre. Eu acho que é&#8230;”  </p>
<p>Meyre Anne Brito é jornalista.  Colaborou Sigi Fischer. </p>
<p>                                                                           CAROS AMIGOS MARÇO 2006     19 </p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/meyreannebrito.wordpress.com/1/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/meyreannebrito.wordpress.com/1/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/meyreannebrito.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/meyreannebrito.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/meyreannebrito.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/meyreannebrito.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/meyreannebrito.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/meyreannebrito.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/meyreannebrito.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/meyreannebrito.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/meyreannebrito.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/meyreannebrito.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/meyreannebrito.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/meyreannebrito.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/meyreannebrito.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/meyreannebrito.wordpress.com/1/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=meyreannebrito.wordpress.com&amp;blog=558633&amp;post=1&amp;subd=meyreannebrito&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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